O Que Escapa, O Que Fica

Segurei o que pude,  

mas havia coisas que não cabiam nas mãos.  

Havia também o que tu deixaste cair,  

como quem solta sem perceber  

que o gesto muda o destino.


Procuro sentido no que não fala,  

no que se esconde atrás do silêncio,  

no que se parte sem ruído  

e ainda assim pesa.


Há mistérios que não se explicam,  

apenas se atravessam.  

E no meio dessa travessia,  

pergunto-me o que resiste,  

o que não se desfaz com o tempo,  

o que permanece quando tudo o resto  

se torna pó.


Talvez o eterno seja isto:  

um lugar pequeno dentro do peito  

onde guardamos o que não entendemos,  

mas que, mesmo assim,  

continua a bater.

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