No instante em que o dia suspira,
e o céu se veste de lilás cansado,
o mundo abranda só para ouvir
o silêncio doce do teu lado.
A luz derrama ouro nas tuas pálpebras,
como se o sol te escolhesse primeiro,
e eu, rendido ao encanto da hora,
aproximo-me devagar, inteiro.
O vento guarda a respiração,
as folhas param para ver,
e o crepúsculo, cúmplice e tímido,
pinta-nos num tom de querer.
Então o beijo acontece —
leve, lento, sem destino marcado —
um gesto que fecha o dia
e abre um universo alado.
E enquanto a noite nasce, tranquila,
o mundo esquece o seu tumulto,
porque nada é tão eterno
como um beijo dado no crepúsculo.

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